domingo, 8 de agosto de 2010

Pai


Pai...ausência mais presente em minha vida.
Pai...quando penso nessa palavra é minha Mãe quem vejo.
Saudades.
Saudades do que não vivi, dos abraços que não dei, dos sorrisos que não vi.
Saudades de uma história que não me foi possível viver.
Inveja.
Dos meus irmãos por parte de Pai que puderam conhecê-lo e construir um juizo de valor. Puderam amá-lo, desfrutá-lo.
Dor.
Uma dor que não se entende mas que se carrega pro resto da vida. Crianças de 3 anos não deveriam perder o Pai tão de repente.
Nó na garganta.
Fui a missa e lá claro o tema era DIA DOS PAIS, levei numa boa até que chegou a música no final e umas fotos rolando no telão. Filhos nos braços, rolando na grama, curando machucado......... Não aguentei, as lágrimas correram sem que pudesse conter.
PAI.
Lembro do dia em que fiz 21 anos, jamais esquecerei. Acordei com a nítida sensação de estar dando um abraço no meu pai e acordei pronunciando a palavra PAI.
É a lembrança mais forte que tenho da presença dele. No mais são imagens que fui criando de acordo com os relatos da minha mãe e dos outros. Na verdade não tenho uma lembrança efetiva do rosto do meu Pai.
Dói.
Dói não lembrar, não poder escolher, saber, sentir.
Vazio...às vezes sinto como se andasse por uma estrada vazia, em silêncio e sem destino.
Todos se foram...exagero eu sei.
Tenho muitas pessoas a quem amo aqui desse lado ainda. Mas também é verdade que as pessoas a quem mais amei já se foram de mim.
Meu peito dói, minha alma chora.
Sinto muito, mas tem sido assim por muito tempo.
Lembro de quando era adolescente e conversava com o espelho = meu pai. Desabafava com ele, na real, só confiava meus segredos a ele.
Até que um dia fui advertida que aquela prática não era saudável para minha mãe. Parei.
Anos depois conheci aquele que será pra sempre O MEU MELHOR AMIGO, Gilmar...mas em 22 de julho de 1990, ele também se foi.
Tenho amigos, excelentes amigos,a quem amo e sou grata por existirem, mas devo confessar, não acredito que irei conhecer outra pessoa nesse mundo que tenha a capacidade de me conhecer e me amar como meu amigo Gil.
Putz era post do dia dos pais, virou post fúnebre.
Mas é a verdade...
Por favor, se escrevo isso, se me exponho tão extremadamente é apenas para alertar a todos os que ainda podem contar com Pai, Mãe, Irmão, Melhor Amigo, que não desperdiçe o precioso tempo. É preciso levar a sério a letra do Legião Urbana.
"é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há".

E eu sei o que estou falando.

Bjs, fiquem com Deus.

Um comentário:

  1. Lane,
    Li com muita atenção e carinho seu relato... assim como você, também perdi meu pai ainda criança (e concordo que pais não deveriam deixar seus filhos... NUNCA) e meu melhor amigo (e irmão) há 5 anos... a pessoa que melhor me conhecia na vida. Conhecidências a parte, na missa de Dia dos Pais também não tive como conter minha emoção. Doeu, e como doeu.. e dói até hoje cada música que fala nele, na figura paterna... aquele que abraçava forte, que protegia... que me jogava pra cima e eu não tinha medo nenhum de cair no chão pois sabia que ele ia me salvar, afinal, ele era "MEU HERÓI, MEU BANDIDO"... E pensar que um dia meus filhos não terão ele por perto pra chamar de VOVÔ...
    Sei que a vida seria bem melhor com eles junto a mim (inclusive com a avó-mãe que Deus tb quis pra ele)! Mas precisamos entender que papai do céu tb quer pessoas do bem com ele.
    Como você disse, o peito dói... dói mesmo.. aquela dor insuportável... e junto com ele, a alma chora. E o que nos resta fazer? Apenas doar esse amor que restou dentro de nós para quem nos ama aqui nesse plano.
    Fica bem... e continue escrevendo. Suas palavras tocam.
    Abraços fraternos,
    Manoella Sampaio

    www.fotolog.net/manusampaio

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